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Controle Biológico da Broca-da-Cana


Broca da cana-de-açúcar (Diatrea sacchralis)
  A broca é a principal praga da cana-de-açúcar. A lagarta jovem alimenta-se, inicialmente, das folhas para depois penetrar pelas partes mais moles do colmo (bainha). Ela abre galerias de baixo para cima, que podem ser longitudinais - maioria das vezes - ou transversais.
  

           

Broca da cana de açúcar                                

  Broca adulta
       A lagarta atinge seu completo desenvolvimento ao completar 40 dias, quando mede 23 milímetros de comprimento. A coloração de seu corpo é amarela-pálida e da cabeça, marrom. A fase de pupa (casulo), que segue a larval, dura de nove a 14 dias e resulta num adulto que sai pelo orifício deixado pela lagarta. O ciclo inteiro dura de 53 a 60 dias e pode resultar em cinco gerações por ano, distribuídas em outubro e novembro, dezembro e janeiro, fevereiro e abril e em maio e junho. Já a forma adulta é uma mariposa com asas amarela-palha e com 25 milímetros de envergadura. A fêmea deposita ovos na face inferior das  folhas da planta.
 

Prejuízos diretos causados pela abertura de galerias:
Tombamento pelo vento, se as galerias forem transversais.

Secamento dos ponteiros, conhecido como coração morto, na cana nova.
             
        
Enraizamento aéreo 
Controle e Manejo

    O Manejo Integrado da broca-da-cana utiliza, prioritariamente, o método biológico. O parasitóide mais empregado atualmente é a vespa Cotesia flavipes. Ela possui um ciclo de 21 dias aproximadamente, ataca lagartas com mais de 1,5 centímetros. A quantidade de adultos a ser liberada é de seis mil por hectare, quando forem encontradas dez lagartas por hora, por operador, na coleta de monitoramento, que identifica o momento certo em que a praga entra na lavoura, em que nível se estabelece, como reage aos inseticidas e quais são os seus ciclos de vida.

Adulto Cotesia flavipes atacando uma lagarta


Cotesia flavipes 
    
   Recomendações:

       Quem produz cana e utiliza o controle biológico, deve ficar atento às recomendações da pesquisa quanto a diversos fatores, como a qualidade e a idade do parasitoide, a forma de transporte e sua distribuição, o horário de liberação desses inimigos naturais na lavoura, a seleção de produtos fitossanitários quando se faz o controle químico, entre outros.

Qualidade do parasitoide – para garantir que o inimigo natural utilizado tenha qualidade deve-se atentar para uma série de fatores, tais como o número de machos e fêmeas (razão sexual), habilidade de voo e capacidade de dispersão e taxa de emergência.

Idade – para liberação da Cotesia, sugere-se o parasitoide tenha idade entre 8 e 24 horas após emergência.

Transporte - deve ser realizado preferencialmente em caixas de isopor, porque evitam exposição ao sol e variações bruscas de temperatura.

Distribuição a campo - priorizar equipamentos que permitam maior ventilação, como tambor plástico perfurado e/ou saco de nylon em forma de rede, e que favoreça ergonomicamente a pessoa que fará a distribuição.

Horário de liberação - pela manhã ou ao entardecer. É recomendado adotar uma estratégia que torne mais rápida a realização desta atividade para evitar as horas mais quentes do dia.

Produtos Fitossanitários - caso seja necessário aplicar produtos fitossanitários, recomenda-se utilizar os classificados como inócuos. Se for preciso aplicar produtos menos seletivos, a indicação é não liberar Cotesia flavipes, porque o produto pode prejudicar a eficiência do inimigo natural no controle da broca-da-cana-de-açúcar.

Autores: Alice L. Cristaldo Gomes, Alessandra Souza de Oliveira, Ketlim Hidalgo,Rosália Isabel Cristaldo Gomes, Dionizio Benitez.

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